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terça-feira, 29 de agosto de 2017

O homem da projeção: José Luis de Almeida

Foto: Felipe Nyland/Agencia RBS.

Publicado originalmente no site Pioneiro/Clic RBS, em 24/08/2017

Do Festival de Cinema de Gramado


O homem da projeção: José Luis de Almeida cuida do telão no Palácio dos Festivais desde 1980. Ele é o responsável pelo andamento de toda a programação que os espectadores do festival assistem na telona.


Por Siliane Vieira.

Exatamente entre as duas portas de acesso ao cinema do Palácio dos Festivais há uma misteriosa parede de vidro coberta por uma cortina preta. Atrás dessa cortina, de costas para os holofotes do tapete vermelho, está José Luis de Almeida, 64 anos.

Ele é o responsável pelo andamento de toda a programação que os espectadores do festival assistem na telona. Trabalha como projecionista em Gramado há 37 anos.

Seu Zé Luis, como é conhecido, é um paulistano formado em Engenharia Eletrônica Industrial que se encantou pelo cinema ainda moleque. Com 14 anos, já estava enfiado na cabine do Cine Candelária, na Vila Maria, interessado em saber como tudo funcionava.

— Eu ia para o cinema e ficava lá, frequentava todas as matinês — conta.

Depois de formado como engenheiro, foi trabalhar na Kodak e brigou para tomar conta do setor de projeção. A partir daí, nunca mais se afastou das cabines de projeções, assistindo de perto a toda a modernização dos cinemas no Brasil. Aliás, não combina nem um pouco com Zé Luis a imagem romântica do projecionista, às voltas com rolos de filmes e envolto na magia do cinema por ofício.

— Sou muito moderno, gosto de tecnologia, não de nostalgia — justifica, incisivo, acrescentando que não sente saudade das épocas do rolo, aliás, costumava ter medo de morrer com um deles despencando em sua cabeça.

Assim como o projecionista é contratado para vir a Gramado todos os anos nesta época, ele também comanda a telona de mais de 30 festivais de cinema pelo país. E mesmo com todas as novidades do cinema brasileiro à disposição, por conta do trabalho, o gosto pessoal do profissional pende mais para os filmes estrangeiros. O projecionista curte mesmo assistir a épicos de décadas passadas no cinema que mantém na própria casa, em São Paulo.

— Meu filme preferido é O Egípcio (1954) — aponta, descrevendo à reportagem toda a história do roteiro.

Nem os famosos que costumam frequentar os festivais de cinema empolgam Seu Zé Luis. Profissional, ele não costuma tietar ninguém, mas confessa ter a sorte de ser amigo de alguns famosos, como Dira Paes, que receberá o Oscarito em Gramado amanhã. Pertinho da badalação dos festivais, Seu Zé Luis revela que o trabalho na sala de projeção é, na verdade, bem solitário.

— Aqui não vem ninguém, só no Cine Paradiso que a guria foi lá beijar o cara na sala de projeção — brinca.

Texto e imagem reproduzidos do site: pioneiro.clicrbs.com.br

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Projecionista Almeida


Há 34 anos projetista garante boa imagem nos cinemas

Apenas um profissional do meio cinematográfico sente de imediato a reação do público ao seu trabalho: o projecionista. Imagem fora de foco, legendas abaixo da tela ou problemas no som provocam assobios e vaias imediatas. José Luis de Almeida certamente não sabe o que é isso. Considerado um dos melhores do ramo, ele se dá ao luxo de se dedicar apenas a festivais de cinema - é responsável pela projeção de alguns dos principais no Brasil. Profissional há 34 anos, Almeida conta que se interessou pela projeção aos 9 anos. "Meu pai tinha um pequeno restaurante ao lado do antigo Cine Cingapura, na Vila Maria, e os projecionistas, clientes assíduos, deixavam-me entrar e assistir da cabine", lembra ele. "Com 13 anos, já me tornei ajudante de projeção e na prática era eu quem fazia tudo." A semelhança com o menino Toto, do filme Cinema Paradiso, também foi notada por Almeida. "Quando vi o filme pela primeira vez, emocionei-me duplamente", conta. Almeida trata de desmistificar a imagem que todo mundo faz dos projecionistas, ou seja, de que assistem a todos os filmes. "Na verdade, a gente não consegue ver boa parte das películas, pois estamos ajustando o equipamento, trocando rolos e coisas assim", lamenta ele, que adora cinema. Engenheiro eletrônico, em pouco tempo ele foi trabalhar na Kodak. Tornou-se especialista em imagens, projeção e projetores. Chegou a criar um aparelho que melhorava a intensidade de luz dos projetores de 16 milímetros e é também um especialista em desenhar salas de projeção. O projeto do novo Cinesesc é dele. "É um dos melhores conjuntos de som e imagem do Brasil", garante. O projecionista conta que já exibiu filmes em praças com 10 ou 20 mil pessoas. Sua maior emoção foi em Juazeiro, na projeção de Milagre em Juazeiro, de Volney de Oliveira, que tem várias cenas com José Dumont interpretando Padre Cícero. "Era época de romaria e havia cerca de 100 mil pessoas na praça mas as pessoas estavam tão fascinadas, tão concentradas, que dava para ouvir o barulho dos grilos no mato", lembra. Nessa ocasião, os mais de 30 anos de experiência em projeções não o impediram de tremer nas bases. A distância entre o projetor e a tela era de 70 metros, a maior que ele já havia feito e o som vinha de um caminhão desses que é usado em trios elétricos. Almeida sentiu a responsabilidade. "Quando vi aquele mar de gente eu gelei, pois imaginei o que fariam comigo se a luz falhasse ou o projetor não funcionasse." Mas o fim foi feliz, como nos filmes de Hollywood.

Texto reproduzidos do site: cultura.estadao.com.br

sábado, 1 de novembro de 2014

Engenheiro paulistano conta que paixão por projetar...

Foto: Rafaella Fraga/G1.

Publicado originalmente no site G1 RS, em 15/08/2014.

Festival de Cinema de Gramado tem o mesmo projecionista há 34 anos
José Luis de Almeida, 61 anos, participa de cerca de 40 festivais pelo país.

Engenheiro paulistano conta que paixão por projetar começou na infância.

Por Rafaella Fraga.
Do G1 RS, em Gramado.

Há mais de três décadas, o mesmo homem é o responsável por projetar, na telona do Palácio dos Festivais, todos os filmes que disputam os Kikitos do Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha. Distante da badalação e apesar de ficar quase o tempo inteiro dentro de uma pequena e escura sala com dezenas de aparelhos, o engenheiro paulistano José Luis de Almeida, 61 anos, é peça chave dentro do evento. Das 42 edições, Zé, como é conhecido entre os funcionários e organizadores, esteve em 34 delas, consecutivamente.

“Gramado para mim é uma experiência totalmente diferente. Tem mais glamour. Os outros festivais tem uma parte mais técnica. Aqui, as pessoas aparecem mesmo para ver os artistas e essa beleza toda”, analisa o projecionista.

Atualmente, Zé viaja quase o ano inteiro para trabalhar em cerca de 40 festivais de cinema pelo país. Com formação superior em engenharia eletrônica, ele conta que a paixão pelo ofício de projetar filmes começou quando  ainda era criança.

Aos 9 anos de idade, entrou em uma sala de cinema pela primeira vez e ficou curioso com o ponto de luz que gerava a imensa imagem em movimento que via projetada na tela. “Eu era muito moleque, mas lembro que fiquei encantando mesmo com aquela luz que saía da cabine para a tela. Encantado mesmo. Na época não tinha nem televisão direito”, relata.

A partir disso, passou a assistir aos filmes de dentro da sala de projeção, em um cinema de rua situado ao lado do restaurante do pai, no bairro Vila Maria, em São Paulo. “Aquilo me levou para cabine. Fui lá, fiz amizade com todo mundo, perguntava muito. Ia todo o domingo para a cabine e fui aprendendo. E fui fazer engenharia por causa de cinema”, sustenta.

Cuidadoso, Zé reserva 30 minutos antes do início de cada exibição para preparar o próprio equipamento e testar detalhes de som, luz e imagem. “Nunca deixei de passar um filme. A gente resolve tudo nos bastidores”, afirma.

Diferente de quando era criança, hoje ele garante ser impossível assistir aos filmes dentro da sala de projeção. “É uma mentira isso de que projecionista vê os filmes aqui de dentro. Ver por aquele buraquinho é horrível. Sem falar que você fica preocupado se está tudo passando bonitinho. É melhor não ver. Só em uma sala de cinema”, avalia.

Longe do tapete vermelho, a estrela anônima do Festival de Gramado diz saber lidar com os diretores de cinema, em sua maioria exigentes com a qualidade da projeção. Alguns, inclusive, o procuram para fazer testes antes da exibição. “Todos os diretores são difíceis, porque eles acham que o filme deles é o filho deles. Então você não pode falar mal do filho do cara. Mas eu estava preparado para lidar com esse tipo de público”, justifica.

A paixão pelo trabalho é tanta que não o deixa sequer pensar em aposentadoria. “Eu quero morrer em pé trabalhando. Com saúde, eu quero fica trabalhando. Não quero me aposentar, não”, conclui.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul