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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Projetores Cinematográficos tombados



Imagem: Prefeitura Municipal

Os Projetores Cinematográficos foram tombados pela Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG

Nome atribuído: Projetores Cinematográficos

Localização: Centro Cultural “Professora Fernandina Tavares Paes” – Praça Cel. Paula Ribeiro, nº 46 – Guaranésia-MG

Decreto de Tombamento:Decreto n° 1088/2003

Descrição: Os dois projetores de 35 mm, cujos números são respectivamente 199 e 200 da série 2, foram produzidos pela Empresa Cinematográfica Triumpho Canteruccio & Lamanna, da cidade de São Paulo – SP, a Rua do Triunfo, 134, em 1952.

A referida empresa teve início em agosto de 1939 e encerrou suas atividades em 1979.

Os projetores foram trazidos para Guaranésia pela Empresa Cinematográfica São Paulo Minas (atualmente extinta) em 1958 e o filme de estréia exibido pelo projetor foi “Corcunda de Notre Dame” na inauguração do Cine São José em 1958.

Em 1986, a Prefeitura Municipal de Guaranésia desapropriou o cinema e os projetores.

Em 1988, o Cine São José foi reformado e então inaugurado o Centro Cultural Professora Fernandina Tavares Paes e os projetores passaram a pertencer ao Centro Cultural. Em 1989, o cinema foi arrendado, até meados de 1999.

O cinema sempre esteve presente na vida dos Guaranesianos desde o início do século passado, primeiramente com o Cine Teatro Rio Branco, de propriedade de Lauria & Irmãos que funcionou até 1957, depois com o Cine Rex e finalmente com o Cine São José, ao qual pertenceram os projetores.

Os Projetores Cinematográficos do Centro Cultural eram considerados os melhores da época em 1958, pois durante a exibição o filme não era interrompido pela troca dos rolos, fato que era comum nas salas de projeção das décadas anteriores.

Até hoje, os projetores nunca tiveram defeito nem passaram por intervenções para concertos ou troca de peças. Muitos foram os casais que se conheceram assistindo aos filmes projetados no glorioso Cine São José.

Atualmente, o cinema com películas está desativado, e a sala de projeções fica somente para visitas de interessados que querem conhecer estas maravilhosas máquinas com lente de 35 mm, cujos números são 199 e 200 e série 2 da Empresa Cinematográfica Triunpho Canteruccio & Lamanna, que datam de meados do século XX.

Fonte: Prefeitura Municipal.

BENS TOMBADOS RELACIONADOS:

Guaranésia – Centro Cultural Profa. Fernandina Tavares Paes

Histórico do município: No início do século XIX, o Rio Canoas, que banha o município de Guaranésia, era conhecido como rio das Capivaras, por causa da grande quantidade existente desse animal em suas águas. Nessa época, às margens do rio, foi construído um rancho onde se estabeleceu o proprietário José Maria Ilhoa, conhecido pelo apelido de Canoas. Em função desse apelido, o curso d′água passou a ser chamado Rio do Canoas. O proprietário das terras construiu uma capela em homenagem à Santa Bárbara, ao redor da qual surgiu um povoado, conhecido pelo nome de Santa Bárbara das Canoas.

O povoado de Santa Bárbara das Canoas foi elevado à categoria de distrito, subordinado ao município de Jacuí, em 1839. Após 34 anos, a localidade foi elevada a cidade, com o nome de Guaranésia, em 1901. Essa denominação deriva do tupi-guarani e significa pássaro da ilha.

Fonte: Prefeitura Municipal.

Texto e imagens reproduzidos do site: www ipatrimonio org

domingo, 9 de abril de 2017

Carlos Cardoso - Cinema: Ame o resultado, não a ferramenta

Foto reproduzida do site: reddit.com
Postado por Máquina de CINEMA.

Publicado originalmente no site Meio Bit, em 29 de junho de 2012.

Cinema: Ame o resultado, não a ferramenta.
Por Carlos Cardoso.

Um post no Reddit iniciou uma discussão interessante, colocando saudosistas versus progressistas. Tudo começou quando um funcionário de um multiplex postou uma imagem mostrando parte dos 12 projetores de filmes que estão substituindo por digitais.

É triste, claro, por quase 100 anos cinema foi associado a grandes carretéis de filme, projecionistas eram uma profissão quase mágica e honrada –não só por ajudarem a matar Hitler- e há todo um componente lúdico em pegar um pedaço de filme, ver materializado ali aquela história em movimento.

Só que o ganho é grande demais, e nem falo da redução de custo para cinemas e estúdios, falo para nós, espectadores. Quase todo saudosista não tem idade para lembrar dos percalços do cinema tradicional, quando um projecionista incompetente deixava o filme fora de enquadramento e as legendas sumiam.

Duvido que quem defenda avidamente o cinema tradicional tenha gritado “OLHA O FOOOCO!!” durante a mudança de rolos nos filmes, ou que tenha corrido para ver filmes na estreia pois depois de alguns dias as cópias começavam a se degradar. Em poucas semanas um filme era acompanhado de arranhados, bolinhas pretas e os malditos estalos quando um arranhão na faixa de áudio gerava um pulso de 7522 decibéis nos amplificadores.

Hoje um filme visto em seu último dia de exibição é tão límpido, nítido e brilhante quanto na estreia. A facilidade de cópia permite que filmes passem em mais cinemas e cinemas possam exibir sessões às vezes uma única vez ao dia.

Não é como se toda a tecnologia tenha mudado de um dia pro outro. Hoje praticamente todo filme é digitalizado, editado em um computador e, no caso dos “convencionais”, impresso em película e distribuído normalmente. O fator digital já está presente, ninguém mais faz composição de efeitos especiais na mão, mesmo as cenas filmadas com modelos são finalizadas no digital.

Não há mais “pureza” do analógico, não importa o quanto se reclame, você pode ter um projetor de 1870 passando seu filme. De que adianta, se foi filmado numa Red, editado num Smoke e cheio de efeitos e cenários modelados no 3D Studio?

Eu acho lindo o cinema tradicional, admiro o pioneirismo, mas também lembro de como era proibitivo ter uma câmera Super8, lembro de como o que é natural hoje –qualquer celular poder ser usado para filmar alguma coisa- era impossível 30 anos atrás.

Não há saudosismo que supere a sensação de saber que toda uma geração está brincando de fazer cinema, fazer vlog, fazer vídeo, sem as restrições financeiras e tecnológicas que massacraram tantas carreiras promissoras.

Quando produziu e dirigiu Clerks em 1994 Kevin Smith estourou todos os cartões de crédito e vendeu sua coleção de quadrinhos para conseguir os US$27.575 do orçamento. O próprio filme em preto e branco não foi estilo, foi penúria. Décadas depois ele filmou Red State com uma câmera RED e uma Canon EOS 7D para algumas cenas. No final do dia voltava para casa, editava no Final Cut Pro o material e ia dormir com a cena praticamente pronta. No último dia de filmagem o filme estava virtualmente pronto.

Nenhum filme em película vale isso. A liberdade que a molecada tem hoje, podendo expressar a criatividade com virtualmente nenhum dinheiro é algo incrível, e se o preço disso for ver filmes sem arranhões e sujeito, saídos de um projetor digital, que seja.

Texto reproduzido do site: meiobit.com