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terça-feira, 8 de julho de 2025

Do analógico ao Digital: como a tecnologia está revolucionando o cinema

Artigo compartilhado do site TERRA, de 14 de dezembro de 2016

Do analógico ao Digital: como a tecnologia está revolucionando o cinema

Tendências do setor de tecnologia para cinemas são apresentadas por Ricardo Ferrari, executivo da multinacional Barco

Não foram só as poltronas que ficaram mais confortáveis e os ingressos eletrônicos. Por trás das telas o cinema, com seus mais de 117 anos, evoluiu muito. Da química ao elétrico, o tradicional processo fotoquímico aplicado às películas de 35 mm por quase um século, foi substituído por um moderno processo fotoelétrico, em que a luz é transformada em eletricidade e codificada em fileiras de zero e um. Chegaram os efeitos especiais, que custam milhões aos estúdios, marcando o início da era digital nos cinemas, com filmes exibidos em altíssima resolução, em 2D ou 3D.

No Brasil, temos um parque exibidor com cerca de 3,1 mil salas, das quais 2,7 mil já estão digitalizadas. Desde o início dessa década, os cinemas brasileiros se mobilizaram para trocar as antigas películas - aqueles rolos enormes de filme - por arquivos digitais.

Projeção digital

Hoje todos os arquivos são filmados em alta resolução e projetados digitalmente. Considerado um ícone no universo cinematográfico, Avatar foi o primeiro filme que teve uma representação de alta qualidade com tecnologia 3D. Uma verdadeira questão de peso, já que os estúdios impuseram a digitalização, pois queriam substituir os rolos de película, que pesavam cerca de 30 quilos, para reduzir os custos de distribuição. O filme digital hoje é distribuído em leves fitas chamadas DLT. Cada uma armazena até quatro filmes de duas horas de duração.

Conteúdo codificado

A tecnologia digital se consolidou e os fornecedores das películas perderam espaço. O cinema teve então que buscar alternativas para continuar gerando conteúdo seguro contra a pirataria. Isso porque, ao contrário da película, cuja cópia envolve um processo complexo, um filme digital pode ser copiado num simples apertar de botões. Assim, todo filme digital é codificado para evitar a cópia ilegal. Após sair do servidor, ele passa por um decodificador, antes de ser convertido em imagem no projetor.

Programação variada

Nem só de filmes vive o cinema. Além de exibir filmes, as salas digitais também podem projetar qualquer mídia digital, desde um simples DVD até programas ao vivo transmitidos por redes de TV que trabalham com imagens de alta definição. Isso possibilita que as salas sejam usadas como megatelões para grandes eventos esportivos, como por exemplo, a final da liga dos Campeões da UEFA que é exibida há anos nos cinemas, ou apresentações corporativas.

Som imersivo

Sabe a sensação de que no cinema o som está em toda parte? Está mesmo. O áudio nos filmes digitais não é compactado e por isso tem melhor qualidade. Na sala ele é distribuído por diversos alto-falantes: os próximos à tela são usados para os diálogos, os laterais e os do fundo para sons ambientes e o do meio - posicionado no teto e conhecido como woofer - serve para sons mais graves, como por exemplo, o barulho de uma nave espacial decolando.

Projetores a laser

Parece complicado, mas é apenas matemática. Os equipamentos a laser têm baixo custo de propriedade em relação aos que usam lâmpadas xênon, funcionam por mais de 40 mil horas, e economizam cerca de 40% de energia elétrica.

As inovações na indústria cinematográfica trazem economia, então são muito bem-vindas. Ainda mais se trazem recursos que os cinéfilos adoram! Para eles, produções filmadas com tecnologias 4K ganharão cada vez mais espaços nas salas de cinema do mundo todo. É bom que as telonas estejam preparadas, pois o futuro chegou!

*Ricardo Ferrari é diretor da Barco, líder mundial em cinema digital

Texto reproduzido do site: www terra com br

domingo, 24 de setembro de 2023

Projetor Digital > NEC900c/1000c






"Na China nec900c/1000c, a fonte de luz projetora conseguiu completar a transformação da tecnologia laser, muito linda, muito perfeita" (Huiqi Zhang).

Legenda e imagens reproduzidas do Facebook/Huiqi Zhang.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Como funciona um projetor de cinema digital?



Antigamente, o filme projetado nos cinemas vinha gravado em uma película química. Hoje, nas salas mais modernas, ele é um arquivo digital em alta definição (high definition, ou HD). 

MAIS EM: https://super.abril.com.br/cultura/como-funciona-um-projetor-de-cinema-digital

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Cabine de Projeção Digital

 Cada cópia digital é devidamente identificada pela embalagem: nome original do filme, tamanho da imagem, tipo de som. Fica mais fácil organizar assim. 
Fotos: Enock Carvalho e Matheus Farias.

É através de uma imagem projetada na parede que a lista de filmes é controlada.
Através dela é definida a ordem de exibição de cada filme do dia.
 Foto: Matheus Farias. 

Na sala escura de projeção, o trabalho é minucioso para não acontecer erros. 
Os projecionistas acompanham o trabalho por uma janela que dá acesso ao cinema.
 Foto: Enock Carvalho.

Publicado por Cine Marcado, em 15/10/13.

Os responsáveis pela excelente projeção do Janela
Por Enock Carvalho

A arquitetura do Cinema São Luiz, no Centro do Recife, impressiona aos que entram pela primeira vez na grande sala. Desde a última sexta-feira (11), o Cinema abriga o VI Janela Internacional de Cinema do Recife, e é possível notar que minutos antes das sessões, os espectadores já acomodados discretamente erguem seus celulares e registram a grandiosidade da sala. Mas hoje, no terceiro dia do Festival, foi a qualidade da projeção que ganhou destaque.

Após a exibição do curta-metragem Colostro, o diretor Cainan Baladez esteve à frente do cinema com outros diretores e comentou que seu filme tivera no São Luiz a melhor projeção já vista por ele em todas as telas pelas quais já passou. De fato, tanto imagem como som dos filmes do Janela, estão com a qualidade altíssima. Para entender a que se atribui essa qualidade, o Cine Marcado subiu três andares de escadas acima do São Luiz para conversar com a equipe responsável pela projeção do Festival.

Já ao abrir a porta veem-se caixas e mais caixas lacradas que guardam as cópias digitais. O Festival conta com 112 filmes, e todos eles são recebidos em discos rígidos. Várias das cópias vieram de fora do país, direto para o Janela. A primeira identificada era do longa-metragem em competição Metalhead, que seria exibido em poucos minutos. A organização delas está à cargo do recifense Rodrigo Almeida, que embora já trabalhe como curador do Festival desde a segunda edição, pela primeira vez trabalha durante a produção.
O trabalho de Rodrigo não é tão tranquilo quanto parece. Ele monitora a chegada dos filmes no Cinema e a saída. Segundo ele, alguns filmes saem do Cinema logo após a exibição no Festival porque outros festivais precisam das cópias, e para isso, ele tem um registro anotado do tráfego. Dada a chegada da cópia, o filme é transferido para o servidor DCP que armazena todos os que serão projetados no Janela, e depois da projeção a cópia volta para a embalagem lacrada em que chegou para ser devolvida. Antes do Festival, Rodrigo já tinha conhecimentos de projeção adquiridos ao longo do trabalho no Cineclube Dissenso, porém ele reconhece a maior responsabilidade de agora. “Geralmente os filmes do Dissenso eram levados em pendrives, HDs, era um outro esquema. Aqui é diferente, é muito mais intenso, a quantidade de filmes é maior, tem que ficar ligado de onde está vindo cada um, para onde vai”, explica.

No último sábado a rede que abastece a energia do Cinema São Luiz sofreu uma pequena queda de energia, que interrompeu por alguns segundos a projeção. Para evitar que o filme fosse interrompido mais uma vez, um no-break foi ativado para suprir o projetor Christie de 30.000 ansi-lumens caso houvesse outra queda na rede. O projetor, aliás, veio direto do Rio de Janeiro, de onde vem também o técnico cinematográfico alemão Ali Sözen, de 37 anos.

O recém-aprendido português de Ali permitiu que ele falasse sobre a experiência de trabalhar no Janela. Residente no Brasil há seis anos, esta já é a segunda vez que trabalha projetando no Festival (a última foi em 2011, quando aconteceu a exibição dos clássicos de Stanley Kubrick). Ali morava em Berlim, onde trabalhava como projecionista de filmes em película 35mm no cinema que lançou Metrópolis, filme que verá pela primeira vez no Janela no próximo domingo. “É interessante porque na época, quando eu trabalhava lá, não tinha a versão original desse filme. Domingo eu vou ver o Metrópolis pela primeira vez na versão completa, masterizado em digital”, explicou Ali.

Ali revela que é cuidadoso com a projeção que faz, dizendo “Eu sou exigente, tento fazer o melhor”. Quando informado que o diretor Cainan Baladez elogiou a projeção de seu filme, se disse orgulhoso pelo trabalho dedicado no Janela. Nos anos 2000, a distribuição de filmes para os cinemas ganhou uma reformulação: começou a migrar lentamente da película para o digital. Hoje, o Janela só conta com cópias digitais e Ali constata que a evolução melhorou o seu trabalho. “Eu trabalhava com 35mm em Berlim e era uma logística muito grande. Nossa, era muito material, e estraga fácil”, conta ele lembrando dos rolos e mais rolos de filmes que ocupavam espaço da cabine de projeção.

A dedicação de Ali resultou na perfeição da imagem de Tatuagem, filme que abriu a competição de longas na última sexta-feira. As imagens coloridas encheram de brilho o São Luiz, cujo som era possível ouvir até do lado de fora de tão potente. Na quinta-feira, antes da abertura, as caixas alugadas para equipar o Cinema não funcionaram corretamente. A solução foi encontrada no Cinema da Fundação, que ainda guardava as antigas caixas da marca JBL e que estão provando que continuam vivas no São Luiz. Vive o som, vive a imagem, vive o Janela.

Fotos e texto reproduzidos do site: cinemarcado.com.br

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cinemas do Brasil Abandonam a Película

O projecionista Miciano Manoel da Silva, 42, entre o digital brasileiro 
(ao fundo)  e o tradicional projetor de 35 milímetros, em SP

 Cinemas do Brasil abandonam a película, mas usam sistema de baixa qualidade


Tanto no Cinemark, terra dos blockbusters, quanto no Reserva Cultural, espaço dos filmes de arte, dois equipamentos disputam espaço na cabine de projeção.
 Onde antes havia apenas o gigante projetor de 35 milímetros, com películas a girar pelos pratos, teve de caber também um projetor comandado por um computador.
 "Quando comecei, usava carvão pra iluminar a tela. Agora, no digital, é só apertar o play. Perdeu toda a magia", descreve o projecionista Miciano da Silva, do Reserva. Mas, queiram os amantes da película ou não, a transição é um caminho sem volta - e com algumas pedras.
Se no mundo todo o processo tem sido marcado por certa confusão e muita disputa comercial, no Brasil há um grande espaço vazio a ser ocupado e uma ausência de regras que começa a causar transtornos.
"Tenho quatro salas e oito projetores", diz, espantado com o próprio negócio, Jean-Thomas Bernardini, do Reserva. "Estamos mandando nossos técnicos fazer faculdade de engenharia elétrica ou eletrônica. O cinema está deixando de ser mecânico", constata Marcelo Bertini, do Cinemark.
Há, porém, uma diferença fundamental entre os dois cinemas. O Cinemark usa o sistema DCI (Digital Cinema Iniciative), acordado pelas sete grandes distribuidoras mundiais.

No Reserva, existe o sistema Rain, criado no Brasil e recusado por Hollywood. Enquanto o DCI tem projetores de capacidade 2K, o sistema Rain trabalha com 1,3K. A diferença estende-se para luminosidade, segurança antipirataria e som.
Pois é esse sistema nativo que está em xeque. "Conforme chegam os projetores 2K, fica evidente a limitação. Fora daqui, o sistema Rain nem é considerado digital", diz Rodrigo Saturnino Braga, da Sony Pictures.
As falhas originaram até um manifesto assinado por críticos inconformados com o que aconteceu a "Ervas Daninhas", de Alain Resnais, no Festival do Rio. A versão digital do filme chegou com formato e condições técnicas alteradas.
 Ao ouvir os envolvidos no episódio - a Rain, o distribuidor e o responsável pela sala - , fica claro que não houve um só responsável, e sim uma sequência de falhas, que apenas evidencia os nós do sistema.
"A ausência de normas técnicas para o digital no Brasil fez com que o sistema se desenvolvesse sem alguns cuidados. Como se vai medir a luz necessária se não existe um padrão?", avalia Luiz Gonzaga de Luca, autor do livro "A Hora do Cinema Digital" (Imprensa Oficial).
 O padrão internacional, por outro lado, tem se mostrado inviável. "Um projetor chega ao Brasil 80% mais caro do que nos EUA, e a arrecadação de uma sala, em dólar, é 50% menor", contabiliza Bertini.
 A saída? "O digital só se rentabiliza com o 3D", responde Adhemar Oliveira, da rede Arteplex, que tem os três tipos de projetor: Rain, 2K e de 35 milímetros. No Brasil, as 79 salas que aderiam ao DCI projetam filmes em 3D. Ou seja, o espectador, aqui, ainda desconhece os filmes tradicionais projetados no digital mais sofisticado.
Para os filmes em 2D, resta, por ora, a Rain. "EUA, Europa, Ásia e até o México estão entrando na transição", diz Braga. "Estamos ficando atrasados". (Ana Paula Sousa da Folha de S. Paulo).
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Sistema Rain viabiliza lançamento de brasileiros

Em cinco anos, não haverá mais cinema analógico. Mas o modelo DCI foi desenhado para as grandes salas dos EUA e da Europa.
No Brasil, ainda temos mais filmes do que salas. Imagina excluir ainda mais exibidores?" Com essa declaração, José Eduardo Ferrão, da Rain, justifica a existência do sistema engendrado no Brasil."
Devem ser buscados projetores adequados para diferentes mercados", defende.
O argumento se fortalece quando se trata de filmes brasileiros ou produções estrangeiras menores. "Com o digital, lanço o filme em mais salas e arrisco mais", diz Jean-Thomas Bernardini, distribuidores dos filmes de Alain Resnais ("Ervas Daninhas") e Michael Haneke ("A Fita Branca").
Não houvesse a Rain, teriam ficado escondidos numa só sala documentários como "Cartola" e "Santiago". "Vai ver se em Fortaleza ou Tubarão alguém reclama da qualidade do sistema Rain. Elas ficam é felizes de poder ver determinado filme", diz Adhemar Oliveira.
O que torna o lançamento pelo sistema Rain mais viável é a diferença de custo. O distribuidor deixa de gastar com negativo, transporte e armazenamento.
"Não se trata de simples troca de projetores", escreve Luca, no livro "A Hora do Cinema Digital". "Mas toda mudança tecnológica no cinema é trágica, no sentido de que beneficia os maiores e mais ricos.
"A mudança não diz respeito apenas ao cinema, mas ao negócio do entretenimento. "Poderemos ter shows ao vivo, partidas de futebol, peças de teatro ou uma ópera sendo exibida nas salas", diz Fábio Lima, criador do MovieMobz, que organiza sessões pela internet. "Cada público poderá buscar o que for do seu interesse." (Ana Paula Sousa). 

Publicado no Blog do Júnior em 18 de novembro de 2009.
Foto e texto reproduzidos blogdojuniorr.blogspot.com.br