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domingo, 5 de outubro de 2025

Película de cinema versus imagem digital dos filmes

Artigo compartilhado do site WEBINSIDER, de 7 de agosto de 2024

Película de cinema versus imagem digital dos filmes
Por Paulo Roberto Elias

A película de cinema e a imagem digital se complementam, com o auxílio luxuoso de softwares de limpeza digital de negativos.

A película de cinema e a imagem digital se complementam, com o auxílio luxuoso de softwares de limpeza digital de negativos.

 Desde a década de 1990 houve um tremendo esforço na conversão da película de cinema, incluindo negativos, para a imagem digital, com o objetivo, naquela época, de lançar videodiscos (Laserdisc, por exemplo) com uma qualidade superior de reprodução.

Os avanços tem sido impressionantes. Já de algum tempo foi possível se lançar mão de um negativo de câmera deteriorado e com ele transferir a imagem para o vídeo de altíssima resolução, algo impensável alguns anos atrás.

Além disso, o tratamento por softwares de limpeza digital competentes deu chance técnica aos restauradores a corrigir falhas na película, antes complicadas de resolver.

Simultaneamente, as telas de televisão e projetores de vídeo também avançaram significativamente. Com os aprimoramentos no tratamento da imagem do front-end (dispositivo de reprodução) usado, e com os recursos de inteligência artificial aplicados nesta reprodução, é possível hoje assistir um filme em vídeo satisfatoriamente!

Eu confesso que sou fã incondicional da película de cinema e lamentei muito, quando anos atrás, o Orion Jardim de Faria (Incol 70/35) me avisou que os projetores de película seriam retirados dos cinemas e substituídos por modelos alimentados por disco rígido contendo o filme a ser exibido, em formato DCP.

Para mim, a película não tem substituto dentro das salas de cinema, mas dentro de casa ela é dispensável, dependendo, é claro, de quem não tem condições de projetar película, como antigamente, hábito que ficou restrito apenas aos colecionadores.

Eu aposto que quem assistiu filmes em cinemas na maior parte de suas vidas, vai sempre racionalizar a projeção em termos de película. Anos atrás, eu estava em uma sala multiplex do shopping local, e a tela era pequena. Na minha frente, sentaram uns garotos, e quando a projeção começou um deles disse aos outros: “parece a televisão lá de casa”. E ele estava certo!

Se este menino tivesse alcançado os antigos palácios de cinema, certamente iria se ressentir mais ainda. Porque, para ver uma imagem de um filme em dimensões reduzidas, nem é preciso sair de casa!

Méritos das películas

Notem que o objetivo das restaurações foi sempre o de recuperar películas de filmes próximas da perda completa, e obviamente preservar o que for possível. As restaurações são muito caras e exigem técnicos especializados neste tipo de trabalho. O que justifica plenamente que toda e qualquer restauração possa, e deva, ser aproveitada para a transcrição para outras mídias. Neste momento, é o Blu-Ray 4K que melhor cumpre esta função.

O Blu-Ray 4K consegue reunir o áudio de alta resolução e em 3D (Atmos e DTS:X), que já estava presente no Blu-Ray 2K, com uma imagem de alta qualidade, tratada com HDR. O lançamento dos discos 4K valoriza ainda mais os esforços de restauração.

A projeção com película, por seu turno, dá ao frequentador de cinema tradicional a sensação de estar assistindo um filme. Existe uma explicação técnica para isso: os projetores de cinema exibem o filme em uma cadência real de 24 quadros por segundo, e isso não pode ser alterado. Já na TV ou no projetor, a imagem pode facilmente ser convertida para 60 quadros por segundo, tirando, muitas vezes, a sensação de percepção de se estar assistindo um filme de cinema.

Os cinemas podiam usar a projeção em películas para construir o tamanho de telas que quisessem, e para resolver o brilho da projeção os projetores eram montados com lanternas (fontes de luz) com amperagem alta. Os antigos cinemas Metro, por exemplo, usavam lanternas com 120 ampères, mostrando uma imagem na tela mais clara do que os outros cinemas. Os projetores de película 70 mm obrigatoriamente usaram lanternas com alta amperagem, por causa das dimensões do fotograma. Com a mudança para lanternas com lâmpadas Xenon, alguns cinemas exibiam uma imagem escura, problema este que foi corrigido depois.

Méritos da imagem digital

Em contrapartida, a reprodução digital tem os seus méritos nas telas atuais, que trabalham com a estrutura física montada por pixels, e não mais por pontos. Cada pixel pode ser controlado, de maneira a ser exibida uma imagem de alta resolução, em qualquer tamanho de tela. E quanto maior for o tamanho da tela, maior será a quantidade de detalhes que podem ser percebidos. O tratamento com HDR, privilégio da imagem digital, aumenta mais ainda o mapeamento de cores, o brilho da imagem, e os detalhes das zonas de penumbra, antes imperceptíveis.

No documentário sobre a restauração física e digital de Tubarão (“Jaws”), Steven Spielberg comenta que uma tela de televisão de alta resolução é capaz de mostrar uma imagem superior àquela projetada na época do lançamento daquele filme.

Se ele ousou fazer tal afirmação é porque ele sabe que a imagem digital tratada corretamente não tem oscilação de movimentos e nem incorreções de cor. Ambos os problemas podem agora serem corrigidos digitalmente!

Existe pendente uma limitação na imagem digital, que é a da resolução nativa da imagem transcrita. Um fotograma de 70 mm exigiria, em tese, um telecine com 12K de resolução. Muitos filmes transcritos com este tipo de negativo vão até 8K, mas são reduzidos para 2K ou 4K, para mídias digitais.

Esta limitação não é, na prática, percebida, porque o tamanho das telas de TV não é grande o suficiente para que a discriminação de resolução seja percebida. Assim, um filme em vídeo com 4K pode ser visto confortavelmente em telas de mais de 80 polegadas. Com os recursos atuais de upscaling, o mesmo pode ser dito, com imagens a partir de 2k de resolução.

A preservação digital e em película

Os técnicos de restauração afirmam com segurança que um novo negativo, derivado do processo de restauração, pode durar mais de 10 anos. Mesmo assim, uma cópia digital do original é sempre feita e arquivada.

Em alguns casos, como foi na restauração do filme de Alfred Hitchcock “Vertigo” (Um Corpo Que Cai), rodado em VistaVision, foi feita uma cópia em 70 mm também. A telecinagem pós restauração revelou uma qualidade de imagem surpreendente, como seria de se esperar, tanto em 2K quanto em 4K.

São nessas circunstâncias que as mídias analógica e digital encontram as suas reais aplicações. Entretanto, eu entendo que não se pode descartar o valor histórico e técnico alcançado pelo cinema do passado. O processo de vídeo Smilebox, por exemplo, simula uma tela curva, mas quem assistiu os filmes em Cinerama nos cinemas vai perceber que a diferença está lá para quem quiser ver!

O ideal seria que os cinemas preservassem os dois formatos, analógico e digital. Alguns cinemas no exterior já fazem isso, inclusive em salas com IMAX. Infelizmente, por aqui eu ainda não vi nenhum exibidor se aventurando novamente no aluguel de películas para projeção. 

Texto e imagem reproduzidos do site: webinsider com br

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Glossário: Película e Digital



Publicação compartilhada do site CRÍTICOS DE CINEMA, de 30 de janeiro de 2014  

Glossário: Película e Digital 

Por Críticos de Cinemas, em Glossário. 

Na última semana, a Paramount, um dos maiores estúdios cinematográficos de Hollywood, anunciou que, a partir de agora, com o lançamento de O Lobo de Wall Street, todos os seus filmes serão distribuídos inteiramente em formato digital. Mais um passo é dado em direção ao aparentemente inevitável fim da distribuição de filmes em película cinematográfica. Mas o que isso significa? Quais as diferenças entre as duas tecnologias?

Imagem

Desde a invenção do cinematógrafo, em 1895, pelos irmãos Lumiére, virtualmente todos os filmes eram distribuídos e exibidos em película. Mas uma revolução vem acontecendo no cinema de todo o mundo. A projeção analógica em película de celulose vem sendo gradativamente substituída pela tecnologia digital, mais prática e barata. Cada vez mais filmes são distribuídos somente em formato digital – uma tendência que, pouco a pouco, vem se tornando uma regra.

A película cinematográfica é qualquer filme fotográfico que é utilizado para a realização de filmes para cinema ou televisão. Sua principal característica específica, que o distingue dos filmes fotográficos comuns, é ser fabricado em rolos maiores, permitindo filmagens mais longas. Há diversos formatos de película, em geral definidos pela sua bitola (largura). Os formatos mais conhecidos para cinema são 35 mm, 16 mm e Super-8.

Os principais problemas da tecnologia analógica são seu alto preço, além da maior dificuldade de manuseio e transporte. Os negativos são condicionados em latas refrigeradas ou em emulsões especiais; o filme está sempre sujeito a deterioração; o uso impróprio pode danificá-lo.

O cinema digital, por sua vez, utiliza bits e bytes (sequências de 1 e 0) para gravar, transmitir e reproduzir imagens, em vez dos processos químicos presentes na película. A maior vantagem da tecnologia digital é que ela pode armazenar e transmitir uma grande quantidade de informação exatamente da forma como foi gravada. A tecnologia analógica perde informação a cada nova projeção e geralmente perde qualidade com o tempo.

Em 2011, concorreu ao Oscar de melhor filme o longa-metragem “Inverno da Alma”, filmado inteiramente em formato digital, em câmeras RED. A própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas começava a se tornar mais maleável em relação a esse novo formato de filmagem. Cada vez mais, o cinema digital ganha força junto aos grandes estúdios e distribuidoras. Uma importante derrota para a produção de filmes em formato analógico foi a falência de uma das principais produtoras de películas cinematográficas, a Kodak, em 2012.

Um grande marco para o cinema digital foi 1995. Neste ano, apareceram duas produções que disputam até hoje o título de pioneira do cinema digital: Cassiopéia, do diretor brasileiro Clovis Vieira e Toy Story, do norte-americano John Lasseter. Em 2002, Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones, foi o primeiro filme digital de alta definição.

Sete grandes estúdios de Hollywood (Warner, Fox, Universal, Paramount, Disney, DreamWorks e Sony) criaram um comitê chamado DCI (Digital Cinema Initiative) com o objetivo de estabelecer um padrão digital para a projeção de seus filmes. Os principais requisitos são a compressão de imagem em JPEG 2000 e a resolução de 2K ou 4K. Poucas salas de cinema que exibem filmes digitais conseguem atender a todos esses requisitos.

JPEG 2000 é um padrão de compressão de imagens de alta definição. Este tipo de compressão utiliza métodos de lógica difusa para criar os dados de origem. Pode compactar até 90% do arquivo original sem perder a qualidade de imagem, pois os pixels não são gerados aleatoriamente na tela, e sim com um cálculo geométrico em que as cores primárias e o RGB ficam paralelos ao eixo central do arquivo.

A resolução 2K é aplicada à imagens que contam com 2.048 pixels de resolução horizontal, possuindo resolução de 2048 x 1080 pixels. Foi idealizada pelo DCI no final da década de 1990, e a partir dos meados dos anos 2000, começou a fazer parte das telas de cinema digital e nas salas IMAX.

Já o formato 4K (4096 x 2160p) começou a ser adotado nas salas de cinema em 2006. A proporção da imagem é mais ajustada, permitindo que você projete vídeos em telas muito grandes, mas sem uma perda visível na resolução das imagens.

O charme e pouco do caráter manual da película se vão com o advento do digital. A nível de detalhes, textura e natureza do movimento, temos um outro tipo de experiência. Uma vez que a película exige, tanto para o processo de filmagem quanto para o de exibição, todo um aparato de profissionais capacitados para manusear o material filmado e alinhá-lo devidamente no projetor, temos esses artífices substituídos por HDs, e parte da (aqui, paradoxal) aura Benjaminiana é perdida, uma vez que a representação da ‘realidade cinematoráfica’ construída desde os irmãos Lumiére, com seus ainda tímidos 12 fps, é substituída por uma operação numérica de padrões outros que não os dos velhos e ultrapassados filme Kodak.

Não há dúvidas de que o cinema digital barateou e até mesmo democratizou o cinema. Hoje qualquer um que possua uma câmera de alta definição pode fazer filmes de boa qualidade. Ao mesmo tempo, não pode se negar que a película tem uma certa aura e um status que o cinema digital nunca deverá ter. Por mais que a produção em película venha diminuindo, ainda existem muitos defensores. Por mais que muitos estúdios produzam exclusivamente em digital, muitos ainda torcem o nariz para essa novidade. Dessa discussão surgirá o futuro do cinema.

Texto e imagens reproduzidos do site: criticosdecinemas wordpress com

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Salas com projeção de filmes em película estão com os dias contados


Publicado pelo Jornal de Londrina, em 18/02/2014.

Salas com projeção de filmes em película estão com os dias contados
Por Fábio Luporini

Não tem mais jeito. Logo o Cine Com-Tour/UEL (Av. Tiradentes, 1241) vai “aposentar” o velho projetor em película 35mm para comprar um que faça exibições digitais. O projetor é um dos dois que estão em funcionamento desde a inauguração do Cine Ouro Verde, em dezembro de 1952. O outro está desmontado e guardado no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No incêndio do Ouro Verde, em fevereiro de 2012, ele estava alojado na antiga sala de projeções e, embora não tenha sido totalmente destruído, ficou bastante chamuscado.

“Chegou o ponto em que estou com cada vez menos opções de filmes em película 35mm, o antigo celuloide. Se der para fechar 2014 só com celuloide será um grande feito. O digital é irreversível. Será necessário comprar um. A UEL já está informada dessa deficiência”, afirma Carlos Eduardo Lourenço Jorge, diretor da Divisão de Cinema da Casa de Cultura, responsável pela programação no cinema e colunista do JL. Apesar de o equipamento ser suficiente para as exibições, até porque não é sobrecarregado – há apenas uma sessão diária e duas durante o fim de semana –, as distribuidoras estão cada vez mais distribuindo as cópias apenas em tecnologia digital.

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"Chegou o ponto em que estou com cada vez menos opções de filmes em película 35mm, o antigo celuloide. Se der para fechar 2014 só com celuloide, será um grande feito. O digital é irreversível. Será necessário comprar um [projetor]. A UEL já está informada dessa deficiência.". (Carlos Eduardo Lourenço Jorge, chefe da Divisão de Cinema da Casa de Cultura da UEL).

Transição - Filme em 35mm tem suas vantagens O saudosismo não é o único argumento a favor da película em 35mm. A diferença nas imagens apontada por profissionais que trabalham na indústria do cinema também engrossa o coro dos cinéfilos. “O digital tem uma limpeza visual de certa artificialidade. Ele é claro demais. Há perda de tons, de brilho”, argumenta Carlos Eduardo Lourenço Jorge. Ele se lembra da estreia de um filme de Steven Spielberg em Cannes, ocasião em que houve alguns problemas e, por conta disso, o próprio cineasta acompanhava a exibição diretamente da cabine de projeções. Na última sexta-feira, a Paramount Pictures anunciou que vai continuar lançando cópias em película 35mm e que não tem previsão de digitalizar totalmente os títulos que distribui.
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Cópias

Essa situação obrigará o cinema a ter um projetor digital, sob risco de faltarem cópias para exibição, como já ocorreu. “O projetor tem quase 62 anos e dá conta do recado. Tem assistência técnica permanente, quando a gente nota algum problema numa lâmpada, por exemplo”, diz Lourenço Jorge.
O filme Ninfomaníaca (2013) é um exemplo. “Eu teria exibido. Aliás, o Com-Tour/UEL seria o lar do filme. É do nosso perfil. Outro filme japonês, que eu vi em Cannes, só veio em cópia digital”, aponta.

A cada lançamento, a preocupação de ter ou não cópias em 35mm é um dos aspectos que devem ser levados em conta pelo Com-Tour/UEL, que está fazendo um levantamento de preços de projetores digitais. Entretanto, há vários tipos e modelos diferentes. Para Lourenço Jorge, basta um básico. “Um 2D básico para podermos passar o digital.”

Treinamento

Em Londrina, o Cine Araújo, do Catuaí Shopping Center (Rod. Celso Garcia Cid, km 377), mantém algumas projeções em película: todas as sete salas tem o projetor 35mm. Todavia, duas têm o equipamento digital que permite a exibição em 3D. Técnicos estão em treinamento, porque dentro de 60 dias os antigos projetores serão trocados por equipamentos digitais, já comprados pela rede. A atualização não será somente em Londrina.

O Lumiére, cinema do Royal Plaza Shopping (R. Mato Grosso, 310), tem cinco salas, das quais três possuem apenas projetores em película, uma somente em digital e outra com os dois tipos de equipamentos. O Royal não tem previsão para a digitalização completa.

Digital

A rede Cinemark, última a inaugurar salas de cinema em Londrina, no Boulevard Londrina Shopping (Av. Theodoro Victorelli, 150), possui projetores digitais em todas as sete salas. Não há nenhum equipamento em película. Do total, quatro salas tem o projetor 3D, incluindo um com tecnologia XD. As outras três salas são digitais em 2D. A unidade em Londrina é uma das 27 da rede que operam totalmente em digital no Brasil. Nesse primeiro semestre os outros 40 cinemas serão completamente digitalizados.

No Cinesystem, do Londrina Norte Shopping (Av. Américo Deolindo Garla, 224), também não há exibições em película 35mm. Todas as seis salas são digitais, sendo três em 3D e duas em 2D.

Foto e texto reproduzidos do site: jornaldelondrina.com.br/cultura